O jogo da vida não é linear

Sempre imaginei a vida como um jogo de tabuleiro. Jogo da vida, literalmente. Imaginava seguindo com os peões, enfrentando obstáculos, voltando casas e avançando outras. Mesmo diante de todo percalço, ao final, na linha de chegada, tudo se resolvia. Todo o desgaste era compensado com o “pote de ouro” na chegada. A felicidade estava lá e toda a estrada para chegar até ela tinha valido a pena, por mais dolorosa que fosse.

No entanto, à medida que sigo avançando casas no jogo da vida, tenho percebido que vivo a esperar pela linha de chegada. Mais do que isso, sigo acreditando que a vida é mesmo esse jogo de tabuleiro em que o caminho percorrido é linear e realizado passo a passo. Ledo engano! A vida pode ser sim um voltar e avançar de casas, no entanto, não é nada linear.

O caminho do jogo está mais para uma linha enrolada, repleta de nós, em que é difícil localizar as extremidades dessa linha. Na trajetória, muitas vezes, voltamos mais casas do que avançamos. Somos obrigados a fazer pausas, a nos rendermos ao acostamento para nos recuperarmos e, só depois, podermos seguir em frente. Quando imaginamos ter quase chegado ao pote de ouro da felicidade, nos damos conta de que nem saímos do lugar.

Tem sido assim, dias de lutas, dias de glória. Especialmente em dias de isolamento em que o foco e os olhares se voltam a nós mesmos. A evolução não é, de forma alguma, uma linha reta e crescente. E eu, que do alto dos meus 27 anos, achava que só encontraria a felicidade na linha de chegada, estou aprendendo a descobrir o prazer do percurso. A acolher quando o meu peão volta cinco casas do jogo. A entender que o recuo não é uma derrota, mas sim, parte da evolução.

Não é fácil. Desatar os nós, acolher os recuos, entender que a felicidade também está no caminhar dos peões no jogo. A cada dia, a ideia do pote de ouro se esvai por aqui. Tento encontrar pequenas moedinhas de ouro a cada dia e entender que elas são, sim, parte da felicidade.

Alguns dias elas não vêm, é claro. Na grande maioria deles. E está tudo bem, também. Sigo aqui buscando as pontas que desatam os meus nós, mesmo que o caminho seja cheio de curvas. Sigamos em frente, mesmo voltando algumas casas no jogo, quando necessário.

Leia mais: Crescer dói (e não é pouco!). Clique aqui!

Acho que você também gostaria de:

O que você achou disso?

Seu endereço de email não será revelado.